Olá, seja bem-vindo a Portal Atibaia News
POSTADO EM 24/11/2022 - 14h04

Mercado Municipal de Atibaia: Comerciantes contam as histórias do dia a dia no Mercadão

Referência para munícipes e turistas, local guarda parte da história e tradição dos comerciantes da cidade

Armando Teixeira Junior

Nas cidades de todo o Brasil o Mercado Municipal começou como um ponto de exposição, venda e comercialização de produtos alimentícios, e em Atibaia não foi diferente.

Bem no Centro do município, na Rua Thomé Franco, encontramos o prédio antigo que abriga açougues, peixaria, quitandas e oferece uma série de produtos da mais alta qualidade. Por trás do balcão existem histórias de comerciantes que assistiram as mudanças que vieram com o tempo e a modernidade.

O local é visitado por centenas de pessoas todos os dias, especialmente nos finais de semana e faz parte da rotina de muitos moradores. Na visão de quem trabalha todos os dias no “Mercadão”, ainda é possível melhorar, se adequando a modernidade sem abandonar o charme tradicional do espaço.



Na memória por trás do balcão a história registrada

O comerciante Marco Antonio Soldeira Cesar é proprietário do box "Cafona" de frios e laticínios, um dos mais antigos do Mercado Municipal.

“Estou há quase 53 anos aqui, desde 1970. Antes tinha o mercado antigo que foi reformado e fizeram este, depois de 6 ou 7 anos eu já entrei aqui. O mercado antigo, era todo aberto, era um pátio enorme, igual a uma feira.”

Marco Antonio, que se orgulha de ser um dos mais antigos comerciantes do local, faz questão de ressaltar o passado histórico e a tradição do Mercadão, que surgiu justamente como ponto de encontro para produtores rurais e comerciantes locais.

“O mercado foi feito para o pessoal da roça que vinha de carroça, que deixava seus cavalos bebendo água em uma fonte que tinha no meio do pátio do estacionamento. Eles vinham vender os produtos deles do sítio, essa era a intenção do mercado. Daí foi mudando, mas ainda é bom, tem frutas de primeira, peixes, frios, laticínios, bacalhau, queijo, etc...”

O comerciante afirma que o Mercado Municipal é o cartão de visita da cidade, um ambiente familiar e gostoso de visitar e lamenta a presença de bares com bebidas alcóolicas na parte interna do local. Recorda que antes o local era exclusivo para gêneros alimentícios e que os bares poderiam ser realocados para a área externa.

“Lá no estacionamento fizeram várias barraquinhas e eu sempre tentei mudar os bares para o pátio, mas não consegui. Na época o prefeito não quis. Na minha opinião, os usuários dos bares ficariam mais à vontade lá fora. De vez em quando os bares daqui tem "enguiço", tem briga, atrapalha o movimento, tumultua, falam alto, eu já perdi muito cliente que não vem mais aqui no mercado por causa dos bares. Tira um pouco daquela característica turística que tinha o mercado”. Opina.

Atento a todos os boatos e conversas que envolvem o local, Marco Antônio afirma que já foi cogitado um projeto de melhoria do espaço, que infelizmente não se concretizou.

“Quanto à estrutura, foi pensado uma vez, construir na parte de cima do mercado, com praça de alimentação, como foi feito no mercadão de São Paulo, poderia funcionar até mais tarde. Foi pensado, mas não aconteceu.”

Mas e o movimento?

Segundo o comerciante, sextas, sábados e domingos são os melhores e mais movimentados dias da semana. É que, entre os clientes fiéis, estão “pessoas que tem chácaras, sítios, e pessoas de fora, muita gente que vem para cidade nos fins de semana, acabam vindo ao mercado para fazer compras”.

Marco ainda se diverte com uma história que se tornou uma grande brincadeira entre os comerciantes.

“Eu me lembro, logo quando eu cheguei aqui, de uma história interessante de que os comerciantes da cidade, às sextas-feiras, quando vinha o pessoal de fora, aumentavam o preço das mercadorias. Essa história é muito conhecida, principalmente pelo pessoal mais antigo. Isso acontecia com o Mercadão, com os armazéns e muitas lojas da cidade. Aumentavam o preço porque vinham os turistas que tinham dinheiro.” Conta em meio a risadas e garante que isso não acontece mais hoje em dia.

A especialidade do Box Cafona, são os queijos, manteiga, azeitona, patês, docinhos, importados.

“O que mais vende são os patês, dez ou doze tipos de patês, queijos, azeitonas, linguiça defumada e parmesão.” Conclui.

O box do Cafona está aberto de segunda a segunda, dentro do Mercado Municipal de Atibaia.

Com o olhar voltado para o Mercado Municipal do futuro

Paulo Afonso Peçanha é proprietário do box 01, no estacionamento do Mercado Municipal. Lá ele comercializa produtos do “Apiário Peçanha”, marca já tradicional da cidade.

Há 27 anos no local, Paulo vê o Mercado Municipal como uma grande referência para a cidade de Atibaia.

“O Mercado Municipal é sempre uma referência, em especial nas cidades mais antigas, como é o caso de Atibaia, São Paulo, Bragança...É onde começou tudo. Apesar que ele vai se descaracterizando com o tempo.”

Sempre atento as mudanças do negócio, ele também afirma que notou diferenças com o passar dos anos em especial com a chegada dos supermercados.

“Hoje mesmo dentro do mercado não são só produtores que vendem, porque antes as pessoas produziam e traziam para vender no mercado. Isso se perdeu um pouco também com o advento desses novos supermercados modernos que vendem de tudo, o Mercado Municipal perde um pouco de força”.

No entanto, o comerciante é otimista e acredita que com a ajuda de uma administração municipal que tenha o olhar voltado para o patrimônio histórico e cultural do Mercado Municipal, existe espaço para melhorias.

“As cidades que tem uma administração com um olhar voltado para isso, dão uma ênfase diferente para o mercado Municipal... que passa a ter restaurantes, produtos diferentes, no nosso caso não temos um restaurante ou praça de alimentação aqui. Nosso banheiro eu acho também muito precário. Em outras cidades isso é mais bem organizado, porque o fluxo hoje é outro, o número de pessoas é maior. O mercado é sempre um lugar gostoso na cidade, até como ponto turístico.” Analisa.

Paulo acompanhou uma revitalização do espaço interno do Mercadão e também as melhorias realizadas na parte externa do estacionamento, onde antes as barracas eram desmontáveis e passaram a ser fixas e de alvenaria. Esse foi um ponto positivo, segundo ele, que tem ainda na ponta da língua sugestões de como melhorar ainda mais o espaço do local para atrair novos públicos.

“Vejo que pode melhorar, falta um restaurante, e tem muito espaço perdido... tem câmara fria, tem banheiro, que é dentro e poderia ser montado em uma estrutura externa. Isso iria permitir mais espaço para comerciantes, e quem sabe até ampliar o funcionamento para mais tarde ou até de noite.”

O box do Apiário Peçanha trabalha com produtos naturais, mas a grande especialidade é o mel puro e os derivados do mel de abelha.

“Trabalho com mel e produtos derivados do trabalho da abelha como própolis, pólen, geleia real, mel de favo...Eu também fabrico alguns vinhos, queijos, mas pouco, nosso foco realmente é o mel”.

Para conhecer os produtos visite o Box 01 – Apiário Peçanha, no estacionamento do Mercado Municipal.

 

VOLTAR