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Alunas de Atibaia são semifinalistas em Concurso Internacional de Tecnologia
Estudantes criaram um aplicativo para auxiliar portadores de Diabetes e vão representar o Brasil na categoria iniciante do concurso Technovation Girls (fotos: arquivo pessoal)

Armando Teixeira Junior
Imagine estudantes de 10 e 11 anos sendo responsáveis por desenvolver uma tecnologia pioneira que auxilia portadores de diabetes a se alimentarem de forma adequada com o uso de um aplicativo de celular.
Essa ideia pode valer um prêmio no concurso internacional “Technovation Girls”, criado pela organização americana sem fins lucrativos Technovation.
A cidade de Atibaia, em uma parceria com Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, de Bragança Paulista, é uma das semifinalistas com a equipe representada pelas estudantes Manuela Cordeiro P. Hilário, 10 anos, Maria Eduarda N. Barros, 11 anos, Melissa Ito de Carvalho, 10 anos e Samantha Rocha Silva, 10 anos, sendo mentoradas pela professora doutora Elisandra Silva do IF de Bragança Paulista e pela professora Vânia E. Ito de Carvalho da escola municipal de Atibaia, Professora Maria Helena Faria Ferraz.
O concurso foi criado com a ideia de reunir garotas de 8 a 18 anos, com o desafio de desenvolver e lançar um aplicativo de celular ou um projeto que resolva problemas reais em suas comunidades, concorrendo mundialmente com vários outros países. É especificamente para mulheres, para que possam estimular, ganhar maior segurança e reafirmando seu gênero para ambientes nas áreas exatas.
O Technovation Girls é representado pela ONG Instituto Parmitas no Brasil

A Professora Vânia E. Ito de Carvalho concedeu ao Portal Atibaia News uma breve entrevista, falando sobre a satisfação em acompanhar as estudantes no processo de qualificação até as finais do concurso.
Portal Atibaia News: Como foi o processo de inscrição no “Technovation Girls”?
O IFSP de Bragança Paulista, possui o projeto “IF Meninas nas Exatas”, e junto com a prefeitura de Atibaia, participam em seu 4º ano nessa competição mundial.
As alunas que compõem o grupo participam do curso Computação Criativa na IF e de aulas de informática na escola para aprenderem a programação com blocos. Oferecido aos alunos do 4º ano, apenas elas se interessaram, desenvolvendo o app Glice LIA (glice = glicemia e LIA= Look InformAlet), que foi inscrito na categoria iniciante.
Portal Atibaia News: Como funciona o app GliceLIA?
O aplicativo é voltado para pessoas com diabetes, para aprenderem mais sobre a alimentação ideal em cada refeição diária, controlar sua rotina e se sentirem mais seguros, pois ele permite que através da localização do usuário, seja dado um alerta em caso de emergência, para um responsável cadastrado.
Como as alunas participaram no desenvolvimento do projeto? Apesar de serem muito jovens, todas puderam contribuir de alguma forma?
Desde novembro de 2022, as meninas já começam a se reunir online para pensar num problema a ser resolvido na comunidade. Neste ano, elas já se reuniam presencialmente na escola e em Bragança desde janeiro. A ideia veio da aluna Maria Eduarda, que é portadora da diabetes tipo 1 e apresentou seu conflito e seus medos diante dos problemas em seu dia a dia.
A mesma, orientou e explicou toda sua rotina, sua doença e as demais também leram muito sobre a diabetes para conhecerem melhor o problema. Ela também fez a parte de tradução do português para o inglês de todas as telas prontas.
Samantha conseguiu ajustar e produzir, através das ideias do grupo, os nossos logos, como também, as imagens que precisariam para o app. Manuela também ajudou a colher mais imagens, ajudou no vídeo e participou de eventos para compreender a diabetes. Melissa ficou com a parte de quase toda programação, criando as telas de jogos e questões do app, assim como na produção do protótipo, das questões e do vídeo técnico.
A professora Elisandra orientou na programação das telas de emergência e de cadastro. Eu auxiliei nos ajustes finais e estéticos das telas, nos textos, na produção do protótipo e nos ajustes de vídeos a serem publicados, além de orientar todo grupo em todo processo. Os pais Daniel e Josias também colaboraram com a produção do app.
Foram dias, semanas, finais de semanas cansativos e árduos para que o app estivesse pronto até abril deste ano.
E como foi a classificação para a final do Technovation Girls? Quantas equipes estavam participando?
O app foi avaliado por alguns juízes e juízas de vários países, e nessa primeira rodada, foram classificadas na categoria iniciantes (8 a 12 anos), 55 equipes de 19 países, sendo somente 2 do Brasil. Nas demais categorias, júnior (13 a 15 anos) foram 99 equipes de 34 países, sendo 4 do Brasil e, na categoria sênior foram 134 equipes de 40 países, 5 do Brasil. Todos os aplicativos foram entregues através da plataforma por juízes que se cadastraram voluntariamente e passaram por um treinamento para avaliarem.
De 31 de maio a 14 de junho, as equipes passarão por uma nova avaliação para a classificação das finalistas. Em 31 de junho haverá o evento global com o anúncio das equipes vencedoras do concurso.
Qual o prêmio do concurso?
As equipes finalistas receberão um prêmio de US$500/ pessoa, para promover o aprendizado do indivíduo a se próprio critério. E cada integrante da equipe vencedora do grande prêmio, receberá o prêmio de US4 750 por pessoa (não cumulativo).
Qual o seu sentimento como professora ao perceber o sucesso do projeto? E as alunas estão ansiosas?
O Brasil já conquistou, no ano passado, o prêmio de melhor tecnologia com as meninas de Atibaia, tendo Melissa e Samantha como participantes dessa equipe. Este ano, elas formaram uma nova equipe, e aguardam ansiosamente por novas conquistas.
Eu, como professora e mãe de uma das integrantes do grupo, fico muito feliz e orgulhosa de ver o progresso, interesse, o desempenho e o espírito cooperativo das meninas tão pequenas. Elas aprendem a encontrar e resolver problemas, o que reflete também no desempenho em sala de aula, onde apresentam maior capacidade no raciocínio lógico, em resoluções de problemas nas habilidades matemáticas, compreendem melhor os textos e enunciados das demais habilidades.
As meninas transbordam de alegria, pois sabem que todo trabalho, as cansativas gravações e reuniões, valem a pena, pois são reconhecidas mundialmente, além de ganharem uma bolsa para os estudos. Elas aprendem mais rápido do que os adultos, possuem muitas ideias e já aprendem a identificar um problema do mundo real, desde pequenas. É a empatia, o estar diante de problemas de outras pessoas, que faz todo trabalho ser reconhecido e valer a pena.