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POSTADO EM 12/08/2021 - 14h12

Atibaia na torcida por Daniel Dias nas Paralimpíadas de Tokyo

Morando agora em Atibaia, o nadador que já conquistou 24 medalhas se prepara para seu último ciclo olímpico. (foto: divulgação)


Foto: divulgação

Armando Teixeira Junior

Não são poucos os feitos conquistados por Daniel de Faria Dias. Nascido em Campinas e atualmente com 33 anos de idade, o paratleta é um fenômeno dentro das piscinas.

Com 24 medalhas olímpicas, sendo 14 de ouro, Daniel nunca perdeu em provas de torneios Panamericanos, com impressionantes 33 medalhas de ouro em 33 provas disputadas.

O nadador recebeu ainda por três vezes o Prêmio Laureus, em 2008, 2012 e 2016, troféu concedido apenas aos maiores destaques do esporte no mundo.

Com o anúncio de sua aposentadoria após as Olimpíadas de Tokyo, Daniel Dias está determinado a seguir quebrando recordes e conquistando medalhas neste último grande ciclo olímpico de sua carreira.

A região bragantina está acostumada a torcer por grandes conquistas de Daniel, que durante anos foi morador de Bragança Paulista e recentemente se mudou para a cidade de Atibaia.

O multicampeão concedeu entrevista exclusiva ao Portal Atibaia News falando sobre o início da carreira, sobre como o Brasil ainda valoriza pouco os paratletas e deixou seu recado as crianças e jovens que sonham um dia representar o país nos Jogos Olímpicos.

Confira a entrevista:

Portal Atibaia News: Quando assistiu aos jogos Olímpicos pela primeira vez, você imaginou que um dia seria um recordista de medalhas representando o Brasil?

Eu sonhei em fazer o mesmo quando eu assisti o Clodoaldo Silva nas Paralimpíadas de Atenas 2004, mas confesso que não imaginei que teria tantos feitos assim no esporte.

Como foi que você iniciou sua trajetória esportiva? Quando notou que possuía esse grande talento para a natação?

Depois de assistir Atenas 2004 eu procurei uma instituição para começar a prática esportiva, quis jogar futebol, mas me explicaram que não era elegível pela minha deficiência, o mesmo ocorreu com o basquete que era a minha segunda opção. Aí, me falaram que eu tinha perfil para ser nadador e eu resolvi tentar. Quando comecei, em apenas oito aulas eu aprendi todos os estilos, e percebi que eu tinha muita habilidade na natação. Descobri então o dom que Deus tinha me dado e estou lapidando até hoje.

Como conheceu a região bragantina? Quando decidiu que gostaria de morar aqui?

Eu morei boa parte da minha vida em Bragança Paulista. Foi a cidade que eu escolhi para começar a treinar e foi onde construí a minha família. Eu resolvi me mudar para Atibaia no final do ano passado, mas a mudança em si só aconteceu neste mês. Atibaia é uma cidade muito bem desenvolvida e me senti acolhido aqui.

Depois de 24 medalhas conquistadas, ainda fica ansioso? Qual sua meta pessoal para Tokyo 2020?

O frio na barriga sempre existe e eu acho importante isso. Tenho as melhores das expectativas para os Jogos de Tóquio. Fiz a minha melhor marca nos 50m livre no último Mundial e me encontro na minha melhor forma física. Estou treinando forte para entregar a minha melhor versão no evento.

Muito se discute que o Brasil valoriza demais o futebol, e não oferece apoio a outras modalidades. Isso também acontece dentro do esporte paraolímpico na sua opinião? Falta incentivo e visibilidade ao trabalho dos paratletas?

Sim, com certeza. O esporte paralímpico ainda é novidade para muita gente. Acredito que melhoramos muito quando teve as Paralimpíadas no Rio 2016, mas ainda está bem longe do ideal. Ainda são pouquíssimas empresas que investem no esporte paralímpico e não há tanta adesão por parte da imprensa também para ajudar a disseminar as informações. Ainda vejo muitas pessoas com deficiência em casa, sem saber que de repente pode ser praticar algum esporte. A sociedade ainda não sabe o tamanho do talento dos atletas paralímpicos brasileiros. E é uma pena, porque com certeza teremos grandes medalhistas em Tóquio.

Qual mensagem você deixa a jovens e crianças que desejam se dedicar ao esporte e sonham em um dia participar de uma Olimpíada?

Eu digo para que elas acreditem em seus sonhos. Aviso de que o caminho não será fácil e que algumas vezes vão pensar em desistir. Mas se lembrar de que a cada treino concluído elas estarão mais próximas dos seus objetivos elas vão encontrar as forças necessárias. É preciso ter muito foco e dedicação, mas todo esforço valerá a pena no final.

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