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POSTADO EM 16/08/2021 - 14h21

Paralímpíadas: a pandemia como trampolim para chegar mais forte em Tóquio

Nadador aproveita o tempo entre o adiamento e a realização das Paralimpíadas para acompanhar nascimento da filha e aprimorar forma física e mental (foto: Marcio Rodrigues/MPIX CPB)

A pandemia da Covid-19 adiou os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, alterou e dificultou o cronograma de treinamento de milhares de atletas mundo afora, mas o nadador Ruiter Silva conseguiu tirar proveito do período mais conturbado vivido pela humanidade no último século. Com o adiamento das Paralimpíadas de Tóquio, o goiano de 28 anos acompanhou o nascimento de sua filha mais nova, hoje com 9 meses, além de ter um tempo extra para aperfeiçoar a forma física e cuidar do aspecto psicológico visando a sua segunda participação na competição. 

“É um momento difícil, mas a pandemia me marcou de uma maneira muito especial. Minha esposa estava grávida e com o adiamento dos Jogos participei efetivamente da gestação da Julia. Também aproveitei o tempo para fazer um trabalho com a psicóloga Ana Lúcia Castello, voltado 100% ao resultado de performance, porque já tive dificuldades de origem psicológica em competições. Hoje estou na melhor forma física, disparado, pronto pra competir”, afirma. 

Usando a terapia EMDR (Eye Movement Dessensitization and Reprocessing), que em português significa Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento dos Olhos, a psicóloga trabalha distúrbios relacionados a traumas e ansiedade, que atormentaram o nadador no passado. “Cheguei a desistir de nadar minutos antes da prova e acredito que deixei de conquistar resultados expressivos mais cedo por sentir a pressão de competir”, comenta Ruiter, que hoje, graças ao tratamento, lida muito bem com o aspecto emocional das competições.

A poucos dias da estreia nas piscinas japonesas, onde disputará as provas dos 50m livre S9 (dia 29 de agosto), do revezamento 4x100m livre 34pts (30/08) e dos 200m medley SM9 (01/09), Ruiter, que nasceu com uma má formação congênita na mão esquerda, está preparado para um dos maiores desafios de sua carreira, que começou em 2009. O sonho de jogar basquete, que viu ruir ao ser reprovado em uma peneira, o fez descobrir que o futuro não estava nas quadras, mas nas piscinas.

Ruiter mergulhou fundo na natação e construiu um currículo com importantes conquistas, que inclui, além da medalha de prata no 4x100m livre nos Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016; quatro medalhas (uma de ouro e três de prata) em Campeonatos Mundiais e 11 medalhas em Jogos Pan-Americanos (seis de ouro, quatro de prata e uma de bronze).

Especialista no nado livre, o goiano de Catalão e atleta do Grêmio Náutico União, de Porto Alegre-RS, demonstra confiança quando o assunto é a possibilidade de subir ao pódio no Japão. “Em Paralimpíadas é difícil apontar um favorito, todos que se classificam têm chances. O objetivo principal é melhorar as minhas marcas, a medalha vai ser consequência”, diz Ruiter, que também espera repetir o feito da equipe brasileira na Rio-2016, no revezamento 4x100m livre.

 

Celebrando as conquistas e o reconhecimento

Vivendo exclusivamente do esporte, Ruiter Silva concilia as competições com palestras motivacionais baseadas na carreira esportiva de sucesso. E comemora o apoio conquistado pelos atletas brasileiros neste ciclo paralímpico, apesar da crise econômica desencadeada pela pandemia. 

“O investimento do Comitê Paralímpico e das empresas vêm aumentando de forma gradativa. Isso possibilita alcançar resultados melhores, com o oferecimento de mais estrutura e recurso financeiro. Temos a tranquilidade de nos dedicar exclusivamente ao esporte. Mesmo durante a pandemia, eu tive apoio do meu clube, da Caixa e do Comitê Paralímpico Brasileiro. Isso me ajudou muito”.

Satisfeito com o suporte que tem dentro e fora das piscinas, o nadador também celebra o que considera uma evolução da sociedade brasileira. “Vivemos uma era de inserção das pessoas com deficiência, é um cenário completamente diferente de 2016. Foi um salto grande, é fácil ver atletas que viraram caras de marcas de renome. Começamos a quebrar esse tabu, o panorama tem melhorado muito pelo investimento das empresas”.

Para Ruiter Silva, essas mudanças proporcionam mais reconhecimento aos atletas e estimulam um sentimento que não era comum no Brasil. “Despertamos a capacidade das pessoas entenderem que a questão da deficiência nada mais é do que a particularidade de cada um, que

isso não impede ninguém de conquistar os seus objetivos. É uma somatória, tudo contribui, gera o poder de influência. Ouvir uma criança dizer ‘quero ser igual a você quando eu crescer’ é sensacional, é uma quebra de paradigmas”. 

Os Jogos Paralímpicos de Tóquio, no Japão, acontecem de 24 de agosto a 5 de setembro.

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