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Acidentes de trânsito seguem pressionando atendimentos por trauma em Bragança Paulista
Município registra 2,5 mil sinistros de trânsito em cinco anos e, só em 2026, já foram 108; Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista ressalta as principais lesões e os impactos às vítimas
Foto: Magnific/Divulgação.
Os acidentes de trânsito seguem entre as principais causas de internações por trauma no Brasil. Durante o Maio Amarelo, campanha internacional de conscientização para redução desse problema, o alerta ganha ainda mais relevância, diante das estatísticas.
Em Bragança Paulista, segundo dados do Infosiga, do Detran-SP, foram registrados 2.555 sinistros de trânsito entre 2021 e 2025. Em 2026, até abril, foram contabilizados 108 acidentes, com 14 vítimas fatais. O levantamento aponta crescimento entre 2021 e 2023, passando de 475 para 641 ocorrências, seguido de queda nos anos seguintes: foram 553 registros em 2024 e 377 em 2025. Do total, 93,5% foram classificados como sinistros não fatais e 6,5% como fatais. As colisões concentraram a maior parte dos casos, com 61,4% das ocorrências, seguidas por outros tipos de sinistro, com 20,7%, choques, com 10,6%, e atropelamentos, com 6,9%.
Apesar da redução observada no município nos últimos anos, os dados reforçam que os acidentes de trânsito continuam representando um desafio para a segurança viária, com impactos diretos na mobilidade urbana, nos serviços de saúde e na preservação de vidas.
Ao fazer uma análise à nível nacional, o Brasil registrou, no mesmo período, 1.030.383 hospitalizações relacionadas a ocorrências no trânsito, segundo levantamento do Grupo IAG Saúde, com dados do DataSUS e da Plataforma Valor Saúde by DRGBrasil, IA e Planisa.. Os dados apontam, ainda20.925 procedimentos cirúrgicos em pernas e braços por fraturas, o equivalente a 18,4% das ocorrências analisadas. Na sequência aparecem cirurgias por fraturas em outros ossos, exceto fêmur e quadril, com 13.381 casos, além de procedimentos no ombro, cotovelo e antebraço, que somaram 11.374 registros. Também foram contabilizadas 7.476 cirurgias no quadril e 3.571 na mão ou punho. Entre motociclistas, o impacto é ainda Maior, somente as cirurgias em pernas e braços por fraturas totalizaram 15.319 casos no período analisado.
Em 2026, o tema da campanha Maio Amarelo - "Enxergar o outro é salvar vidas" - chama atenção para a responsabilidade compartilhada entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
No Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, os reflexos da violência no trânsito fazem parte da rotina assistencial, especialmente nos atendimentos de traumas ortopédicos. A instituição conta com um Centro de Ortopedia, único da região com pronto atendimento e ambulatório especializado em traumas ortopédicos, além de estrutura para consultas, procedimentos e cirurgias.
Principais lesões e cuidados no atendimento às vítimas
Segundo o ortopedista do Centro de Ortopedia da Santa Casa, Dr. Alexandre Moreira os acidentes de trânsito frequentemente provocam lesões graves e complexas, principalmente em casos envolvendo motociclistas, atropelamentos, colisões em alta velocidade ou quedas com impacto direto.
"Muitas vezes, o paciente chega com lesões que exigem cirurgia, colocação de placas, parafusos ou outros materiais ortopédicos. A recuperação pode ser longa e, em alguns casos, a pessoa precisa reaprender atividades simples da rotina, como caminhar, apoiar o braço ou voltar ao trabalho", explica.
Entre as lesões mais frequentes estão as fraturas em regiões como fêmur, tíbia, úmero, punho, ombro, cotovelo e antebraço. Dependendo da gravidade, elas podem provocar dor intensa, perda de mobilidade, deformidades, sangramentos e risco de infecção, principalmente em casos de fratura exposta.
Outra preocupação importante são os traumatismos cranioencefálicos (TCEs), que podem variar de quadros leves, como concussões, até situações graves com sangramentos, perda de consciência, sequelas neurológicas e risco de morte. Sinais como sonolência, confusão mental, vômitos, sangramentos e desmaios exigem atenção imediata.
Os traumas na coluna vertebral também demandam cuidado urgente. Lesões cervicais e lombares podem comprometer a medula e provocar sequelas permanentes, como perda de movimentos, paraplegia ou tetraplegia. Nesses casos, a forma como a vítima é socorrida pode evitar o agravamento das lesões.
"Uma orientação essencial é não movimentar a vítima sem necessidade. Quando há suspeita de trauma na coluna, qualquer movimentação inadequada pode piorar o quadro. O ideal é acionar o serviço de emergência, sinalizar o local e aguardar profissionais capacitados para realizar a imobilização e o transporte adequado", orienta o médico.
Também são frequentes os traumas torácicos e abdominais, que podem atingir órgãos vitais como pulmões, fígado e baço, além de lesões de tecidos moles, como cortes, escoriações e contusões. Outro quadro comum é o chamado "efeito chicote", típico de colisões traseiras, que provoca entorses cervicais e dores no pescoço, ombros e costas.
Na hora de prestar socorro, algumas orientações são fundamentais: acionar imediatamente o SAMU, pelo 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193; sinalizar a via para evitar novos acidentes; não oferecer água, alimentos ou medicamentos à vítima; não tentar colocá-la de pé; não retirar o capacete de motociclistas; e evitar qualquer movimentação em casos de dor intensa, deformidades, perda de consciência, sangramentos importantes ou suspeita de lesão na coluna.
"O impulso de tentar levantar ou remover a vítima é comum, mas pode trazer riscos. Na maioria das situações, a melhor ajuda é proteger o local, acionar o socorro e manter a vítima calma até a chegada da equipe especializada", reforça Moreira.
Além do atendimento hospitalar, a prevenção segue como a principal forma de reduzir mortes, internações e sequelas. Respeitar os limites de velocidade, não dirigir após consumir álcool, evitar o uso do celular ao volante, utilizar cinto de segurança, capacete adequado e equipamentos de proteção são medidas que ajudam a reduzir tanto o risco de acidentes quanto a gravidade das lesões.
Para motociclistas, grupo mais exposto a traumas graves, o alerta é ainda maior. O uso correto do capacete, além de jaquetas, luvas, calçados fechados e a adoção da direção defensiva, pode diminuir significativamente a gravidade dos ferimentos em caso de queda ou colisão.
"Por trás de cada acidente existe uma vida impactada, uma família envolvida e, muitas vezes, sequelas que acompanham o paciente por muitos anos. Por isso, a prevenção sempre será o caminho mais importante", conclui o médico.
Sobre o Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista
O Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista é um hospital filantrópico de perfil secundário, referência em atendimentos de baixa e média complexidade para a cidade de Bragança Paulista e para a microrregião bragantina da DRS-VII Campinas, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
Essa microrregião reúne os municípios de Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Bragança Paulista, Joanópolis, Nazaré Paulista, Pedra Bela, Pinhalzinho, Piracaia, Socorro, Tuiuti e Vargem, com uma população estimada de 513 mil habitantes, segundo dados do IBGE de 2024.
A instituição conta com cerca de 2 mil profissionais e aproximadamente 450 médicos. Atualmente, possui 153 leitos, sendo 66 destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2025, o hospital realizou 1.435 partos, com média de 120 por mês. No pronto-socorro, foram registradas 147.409 consultas ao longo do ano, considerando atendimentos do SUS e da rede particular, com média mensal de 12.284 pacientes.
No mesmo período, foram realizadas 7.539 cirurgias, média de 628 por mês. Na área de diagnóstico, o hospital contabilizou 2.233.940 exames laboratoriais, com média mensal de 186.162, além de 122.248 exames de imagem, entre raio-X, ultrassonografia e tomografia, média de 10.188 por mês, reforçando seu papel na assistência hospitalar da região.